Financiamento imobiliário em queda? Cyrela (CYRE3) vê aumento de clientes que compram apartamentos com recursos próprios
O aumento da taxa de juros do financiamento imobiliário não tem causado alta nos distratos na Cyrela (CYRE3), segundo o diretor-financeiro Miguel Mickelberg. Ele falou em coletiva de imprensa na última quinta-feira (20), após a divulgação dos resultados do quarto trimestre da incorporadora.
A resiliência da demanda pelos imóveis tem surpreendido em São Paulo, principal praça da Cyrela, com a economia ainda fortalecida e o desemprego em nível baixo. A Cyrela aumentou suas vendas em 44% no último ano, para R$ 9,3 bilhões, um recorde para a companhia, de acordo com o executivo.
Os lançamentos também subiram, em 45%, para R$ 9,6 bilhões, outro volume recorde.
Financiamento imobiliário para alta renda
Segundo Mickelberg, a mudança de comportamento que a empresa tem percebido é uma queda da parcela de clientes que tomam financiamento imobiliário, nas marcas de médio e alto padrão.
Na Living, de médio padrão, a parcela recuou de 68%, até setembro, para 62% ao final de 2024. Na marca Cyrela, de alto padrão, caiu de 45% para 41%.
“O que vimos é um aumento dos clientes que fazem a quitação com recursos próprios”, disse, acrescentando que não é possível saber se o cenário vai persistir. O cliente da empresa paga, em média, 50% do imóvel até a entrega das chaves, valor que tem se mantido.
Lançamentos da Cyrela
Fazer previsões sobre volume de lançamentos para este ano está mais difícil do que o normal, segundo o executivo. “Normalmente começamos o ano com um pouco mais de clareza do que neste ano”, afirmou. A empresa tem capacidade de fazer um “ligeiro crescimento” nos lançamentos em 2025, se as condições de mercado colaborarem.
A companhia aumentou a presença de lançamentos no segmento econômico, com a marca Vivaz, em 2024, ampliando-a de 15% para 24% do valor geral de venda (VGV) lançado.
O diretor-financeiro afirmou que a tendência é que essa parcela continue crescendo, dada a menor vulnerabilidade da baixa renda à taxa de juros, já que ela se inclui no programa Minha Casa, Minha Vida (MCMV), que tem as taxas fixas.
Uma possível mudança no MCMV, com acréscimo de uma quarta faixa de renda, para famílias que ganham de R$ 8 mil a R$ 12 mil, seria positiva para a empresa, aumentando o mercado que a Cyrela conseguiria alcançar, disse. Essa mudança tem sido discutida dentro do governo.
Com informações do Valor Econômico
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